Hoje é um daqueles dias em que nenhuma música é boa o suficiente
Onde nenhuma delas consegue destaque
Novas ou antigas
Todas são inúteis
Vazias
Zombam de mim
Hoje é um daqueles dias em que não importa o quanto o sol brilhe
Todas as minhas luzes estão apagadas
E o meu corpo está dormente
De tanto não sentir
Aí me sinto viva quando meu coração dispara de susto
E meus reflexos estão um pouco lentos
Juro que não é tristeza nem vontade de chorar
Embora eu esteja tão errada
Tudo esteja tão errado
Tenho aqui uma vontade de olhar pela janela
Ver as crianças voltando da escola
Ver os cegos tão mais observadores que nós
Sozinhos com suas bengalas
Mas hoje tudo está um pouco mais longe, um pouco mais difícil
E as vontades cada vez mais rasas
Hoje eu não estou com vontade de vestir minhas lentes cor-de-rosa
Não quero falar sobre meus amigos, sobre minhas dores
Quero um balde de limonada suíça pra afogar meu desconforto
Com essa vida que parece quase minha
Com esses pecados que a muito não são meus
Com essa idolatria ao que esse julga tão (des)importante!
Hoje eu não quero estar aflita, ansiosa...
Nem quero ver o que está por trás daqueles olhares todos
Não quero somar nem dividir
Hoje eu não quero me trair
Então dispenso todos os abraços
Todas as lembranças de um passado não tão distante
Então finjo que não enxergo meus erros crassos
E juro que não vou afirmar nada outra vez
Porque meus anseios são só meus e ninguém pode resolve-los
Ninguém quer
Eu quero só as bolhas de um refrigerante de garrafa de vidro
Pra me fazer chorar sem motivo
Pra me embaçar os olhos cansados
Eu quero o sorriso franco de um desconhecido
Não estou para reencontros
ANDRÉA, ñ consigo comentar no seu blog pq meu computador trava qdo entro nele... eu sei, tem alguma coisa errada aqui... mas eu queria ter lido seu discurso...
Estou bem, está tudo bem. As dores deste mundo temperam e não há quem possa nos tirar isso.. não sei se choro ou se riu! Hoje até precisei botar um texto ruim como este aí de cima porque só escrevo direito quando dói, e as pessoas já estão desconfiando que eu estou mal... mas “alma te acalma!”... está tudo bem.
BEIJOS PRA TODO MUNDO!
PS: leiam o texto abaixo... ele está bem melhor!
Parece que eu estava adivinhando quando, até as 4hs da manhã de um domingo, fiquei escrevendo seis páginas de uma carta que eu sabia que nunca seria enviada. Cada gota do que eu derramei naquela carta pode não fazer nenhum sentido em mais dois dias, mas não me importo. Foi tudo o mais sincero possível, pelo menos naquele momento. Também não me importo em dar a impressão errada e fazer as coisas parecerem maiores do que na verdade são. Tenho consciência de que as vezes fico obcecada e de que meus vícios são como uma descarga: você puxa a cordinha e desce uma enxurrada... então, a água acaba e para. Pronto, cometi o maior crime de analogia da minha vida, mas também não me importo.
Eu me odeio um pouco mais a cada vez que me preparo pra sair e penso que posso te encontrar... aí eu uso uma roupa que você aprovaria e aquele hidratante que você gosta... e tudo isso pra nada, porque como você, eu também sei que não quero nada, não preciso de nada... é só mais um capricho, uma vontade como aquela de comer queijo cheddar frio e de colher, as 3hs da manhã de quinta-feira... você vira pro outro lado e passa, no dia seguinte você nem lembra.
Mas foi ruim ter discutido com você e disso eu não me esqueci! Tive pesadelos a noite inteira, acordei de madrugada e não consegui mais dormir. Tudo por causa de umas palavras tortas e uma tensão idiota que existe só em mim. O problema não é o que você não quer, mas o que eu quero e não admito. Daí a musica que toca agora é uma que você ama muito e que canta muito bem... e quando você tá cantando sem saber que eu to ouvindo, faz uma performance sem pudor... mesmo com toda essa angústia, não consigo deixar de sorrir com a lembrança.
As vezes eu fico só pensando em quando vai ser a minha vez. Quando é que ao invés de ouvir você falar vou provar um pouco de você. Quando é que vou ter um abraço de verdade e quando vou saber mais sobre você do que você sabe sobre mim agora. É só um pensamento tolo que me ocorre em momentos como aquele depois de uma discussão ridícula que tivemos, a primeira, alias, e que eu desejo que seja a última. Eu cheguei no meu quarto ofegante e demorei muito pra dormir... acordei com uma dor no peito gigante e fiquei parada um pouco na esperança de te ver passar.
Nesse caso eu me importo com o que você esteja pensando porque eu bravamente tento esticar isso que não temos, na esperança de que um dia a gente se desprenda das coisas deste mundo pra viver o meu sonho recorrente de poder estar com alguém sem compromisso com o tempo, os humanos em volta, as tradições... poder fazer farra de filmes e comida, ver velhas fotos, vídeos engraçados, rir de nós mesmos.
Sabe, tem uma música que só eu sei que é a nossa, que celebra a nossa amizade... é ela que está tocando agora e a letra é tão doce e a melodia tão morninha... é perfeita! E de repente eu tive vontade de ficar só um pouco nos teus braços, sem pensar em nada como de costume, porque eu amo este teu poder de esvaziar a minha mente e de ser tanto pra mim, mesmo não sendo nada.
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